Este texto é baseado (uma nota mental pública e estruturada, digamos) na apresentação "Performance Improvements in Browsers" feita por "John Resig", que é ninguém menos que o pai da famosa biblioteca jQuery.
Abaixo está o vídeo com a apresentação feita (aproximadamente 1h) e na sequência algumas notas e comentários sobre os temas apresentados.
Abas separadas por processos
Este é um fato que certamente você deve conhecer. Você está lá navegando tranquilamente com uma dezena (ou mais =) de abas abertas... Daí que você resolve acessar um site com um Javascript mal escrito, com uma animação em que o Flash Player se revolta e lá foi, o navegador inteiro congela e não resta outra opção senão matar o processo. Claro que a maioria dos navegadores traz opções para restaurar a seção anterior mas não deixa de ser bastante incômodo.
A separação das abas por processos permitiria matar (encerrar) apenas a aba problemática, mantendo as outras abas isoladas. Isso por si só já seria uma grande vantagem da separação por abas mas ainda há uma segunda vantagem também bastante interessante! =)
Com a separação em diversos processos o sistema operacional pode gerenciar melhor o processamento, alocando mais recursos para as partes onde é realmente necessário, sem congelar as outras partes do navegador.
Vale notar que essa divisão em processos distintos causa um aumento do consumo do memória sim mas, como a quantidade de memória disponível nos PCs atuais (mesmo para os "PCs de prateleira") está deixando de ser um gargalo para o desempenho dos computadores, é de se esperar que os programas passem a fazer alocações maiores de memória. Mais ou menos como o princípio da lei da oferta e da demanda.
Linearização das instruções de funções
O termo em inglês acho que permite um entendimento melhor: "'function inlining". Essa é uma característica que, por exemplo, C++ possui. Usando essa propriedade o compilador pode trocar a chamada de uma função pelo corpo da função, fazendo com que a execução das instruções ocorra sem o overhead de chamar uma função.
Além disso, pelo código exibido nos slides parece que, diferentemente do C++, você não precisa dar uma dica para o compilador na hora de escrever a função indicando que a função é candidata ao "inlining".
Rede
Aqui vale destacar o aumento do número de downloads simultâneos para um mesmo domínio. Com o IE 7 ainda temos o limite de dois downloads mas, felizmente o IE 8 (beta) já tratá um limite três vezes maior, de seis downloads simultâneos para o mesmo domínio. A última versão dos demais navegadores já possui um valor de seis ou sete downloads.
Outro recurso bem legal, e este é uma boa ideia da Microsoft, é o atributo "defer" para a tag <script>. Esse atributo indica para o navegador que ele pode continuar a renderizar a página sem esperar o arquivo Javascript referenciado carregar. O atributo já funcionava no IE e vai funcionar nas novas versões do Firefox e Opera.
window.postMessage
O método window.postMessage me chamou a atenção. Com ele será possível a comunicação entre páginas de domínios distintos de forma bem simples. O princípio é o seguinte: a página remetente da mensagem irá tentar enviar a mensagem para, por exemplo, um iframe destinatário. Este iframe irá verificar se o remetente é alguém que ele conhece para então aceitar a mensagem e executar alguma ação.
A página que receberá as mensagens pode "ouvir" os eventos de mensagens usando o tradicional método addEventListener. Verificando a propriedade origin, a página receptora pode descobrir pelo domínio se a mensagem está vindo de um destinatário conhecido ou não.
Ajax entre domínios diferentes
Aquele sonho de fazer requisições Ajax entre os N domínios da sua aplicação está prestes a se realizar.
Adicionando um cabeçalho (header) na resposta da requisição Ajax é possível especificar uma origem (além do próprio domínio) de onde aquela requisição pode ser atendida com segurança. O nome deste cabeçalho é "Access-Control-Allow-Origin" e está melhor descrito nesta página.
document.querySelectorAll
Se você já usou a jQuery sabe como é prático encontrar os elementos da página usando a sintaxe de CSS. Melhor ainda se encontrar esses elementos usando a sintaxe de CSS seja possível de ser feito usando um método nativo do navegador. É isso que o método document.querySelectorAll permitirá. O melhor de tudo é que as próximas versões do IE, Firefox, Opera e Safari já trarão este método disponível.
Visual e CSS
Adoradas por 10 em cada 10 webdesigners, as bordas redondas vieram pra ficar. =) Apesar de os navegadores trazerem implementações com nomes diferentes, todas as implementações funcionam bem. Ou seja, juntando essas propriedades: -moz-border-radius, -webkit-border-radius, -khtml-border-radius e border-radius as bordas redondas saem com facilidade.
Sombras também estarão disponíveis. Nesta página há vários exemplos de uso da propriedade text-shadow.
Outro recurso que certamente vai ser muito usado (e provavelmente muito mal usado também
) é a possibilidade de se usar fontes personalizadas na página. Por fontes personalizadas entenda fontes que não estão instaladas na sua máquina. Coisa que já era possível de se fazer no Flash, agora também com CSS.
Além disso, há uma série de animações que estarão disponíveis, por enquanto, para Firefox e Safari.
Desenho
O objeto Canvas permite a renderização de elementos numa superfície 2D usando retas, curvas, arcos e/ou círculos. No MDC tem um tutorial bem bacana sobre Canvas. Até me arrisquei a fazer uma "arte": =)
// <canvas id="draw-area" width="150" height="150"></canvas> no HTML
var canvas = document.getElementById( "draw-area" );
if( !canvas.getContext )
{
return;
}
var context = canvas.getContext( "2d" );
context.beginPath();
var side = 150;
var offset = -4;
var i = 0;
while( true )
{
if( i % 4 == 0 )
{
var x = offset + 4;
context.lineTo( x, offset );
offset = x;
if( offset + 4 > 78 ) // hard-coded mesmo ;P
{
break;
}
}
else if( i % 4 == 1 )
{
context.lineTo( offset, side - offset );
}
else if( i % 4 == 2 )
{
context.lineTo( side - offset, side - offset );
}
else if( i % 4 == 3 )
{
context.lineTo( side - offset, offset );
}
i++;
}
//context.closePath();
context.stroke();
Outro detalhe importante é que o Canvas permitirá também a inserção de vídeos dentro dele.
JSON nativo
Atualmente, ao receber uma string em JSON você precisa usar um eval para recuperar o objeto original. O eval é conhecidamente lento, até pelo fato de ser um método genérico, mas era a melhor saída para se ter acesso às informações contidas na string JSON mas, isso vai mudar!
Agora teremos métodos nativos para codificação e decodificação no formato JSON. A única dúvida que me restou é sobre o nome dos métodos. Nos slides os métodos se chamam encode e decode, já na página do MDC e no wiki do ECMAScript os métodos se chamam parse e stringify, respectivamente.
E por fim...
... fico na torcida pra que as novas versões desses navegadores tenham uma rápida adoção por parte dos usuários.